É um mastigar sem fim.
email / msn: vladtepes_dracul@hotmail.com
 17/08/2008 a 23/08/2008
 25/11/2007 a 01/12/2007
 28/10/2007 a 03/11/2007
 07/10/2007 a 13/10/2007
 22/07/2007 a 28/07/2007
 15/07/2007 a 21/07/2007
 27/05/2007 a 02/06/2007
 20/05/2007 a 26/05/2007
 22/04/2007 a 28/04/2007
 18/03/2007 a 24/03/2007
 04/03/2007 a 10/03/2007
 25/02/2007 a 03/03/2007
 21/01/2007 a 27/01/2007
 07/01/2007 a 13/01/2007
 03/12/2006 a 09/12/2006
 26/11/2006 a 02/12/2006
 19/11/2006 a 25/11/2006
 12/11/2006 a 18/11/2006
 22/10/2006 a 28/10/2006
 15/10/2006 a 21/10/2006
 08/10/2006 a 14/10/2006
 01/10/2006 a 07/10/2006
 17/09/2006 a 23/09/2006
 10/09/2006 a 16/09/2006
 03/09/2006 a 09/09/2006
 27/08/2006 a 02/09/2006
 20/08/2006 a 26/08/2006
 06/08/2006 a 12/08/2006
 30/07/2006 a 05/08/2006
 23/07/2006 a 29/07/2006
 16/07/2006 a 22/07/2006
 09/07/2006 a 15/07/2006
 02/07/2006 a 08/07/2006
 25/06/2006 a 01/07/2006
 18/06/2006 a 24/06/2006
 11/06/2006 a 17/06/2006
 04/06/2006 a 10/06/2006
 28/05/2006 a 03/06/2006
 21/05/2006 a 27/05/2006
 07/05/2006 a 13/05/2006
 30/04/2006 a 06/05/2006
 23/04/2006 a 29/04/2006
 09/04/2006 a 15/04/2006
 02/04/2006 a 08/04/2006
 26/03/2006 a 01/04/2006
 19/03/2006 a 25/03/2006
 05/03/2006 a 11/03/2006
 19/02/2006 a 25/02/2006
 12/02/2006 a 18/02/2006
 05/02/2006 a 11/02/2006
 29/01/2006 a 04/02/2006
 22/01/2006 a 28/01/2006
 15/01/2006 a 21/01/2006
 08/01/2006 a 14/01/2006
 01/01/2006 a 07/01/2006
 04/12/2005 a 10/12/2005
 20/11/2005 a 26/11/2005
 13/11/2005 a 19/11/2005
 30/10/2005 a 05/11/2005
 23/10/2005 a 29/10/2005
 09/10/2005 a 15/10/2005
 02/10/2005 a 08/10/2005
 18/09/2005 a 24/09/2005
 11/09/2005 a 17/09/2005
 21/08/2005 a 27/08/2005
 14/08/2005 a 20/08/2005
 07/08/2005 a 13/08/2005
 31/07/2005 a 06/08/2005
 17/07/2005 a 23/07/2005
 10/07/2005 a 16/07/2005
 12/06/2005 a 18/06/2005
 05/06/2005 a 11/06/2005
 08/05/2005 a 14/05/2005
 17/04/2005 a 23/04/2005
 27/03/2005 a 02/04/2005
 13/03/2005 a 19/03/2005
 06/03/2005 a 12/03/2005
 20/02/2005 a 26/02/2005
 13/02/2005 a 19/02/2005
 06/02/2005 a 12/02/2005
 23/01/2005 a 29/01/2005
 16/01/2005 a 22/01/2005
 09/01/2005 a 15/01/2005
 02/01/2005 a 08/01/2005
 12/12/2004 a 18/12/2004
 05/12/2004 a 11/12/2004
 28/11/2004 a 04/12/2004
 21/11/2004 a 27/11/2004
 14/11/2004 a 20/11/2004
 07/11/2004 a 13/11/2004
 31/10/2004 a 06/11/2004
 24/10/2004 a 30/10/2004
 17/10/2004 a 23/10/2004
 10/10/2004 a 16/10/2004
 26/09/2004 a 02/10/2004
 19/09/2004 a 25/09/2004
 12/09/2004 a 18/09/2004
 05/09/2004 a 11/09/2004
 29/08/2004 a 04/09/2004
 22/08/2004 a 28/08/2004
 15/08/2004 a 21/08/2004
 08/08/2004 a 14/08/2004
 25/07/2004 a 31/07/2004
 18/07/2004 a 24/07/2004
 04/07/2004 a 10/07/2004
 27/06/2004 a 03/07/2004
 20/06/2004 a 26/06/2004
 13/06/2004 a 19/06/2004
 06/06/2004 a 12/06/2004
 30/05/2004 a 05/06/2004
 23/05/2004 a 29/05/2004


 Que Seja Doce
 Culinária Belga
 breve brevíssimo ou aquele morre-não-morre
 Noise Annoys
 sincopado triste.
 porque tem que sempre estar bem
 Palavras Sobreviventes
 Histérico Histórico
 Caixa de Pandora





Elogio à Antipatia


Prece Vespertina

Pois que no começo fostes nada,
Mundo e Deus,
Perdoai com luz os meninos atormentados
Que só amam com os olhos.

Que não é dos meninos
Inteira a culpa.

Há que entender
Da cor escura da carne atribulada,
O marrom resistente da saudade,
E o sufoco de uma natureza morta
A emoldurar a refeição de sal:
Pois que o gosto na garganta
Desses meninos
É aquele da flor da terra.

Perdoa,
Quem só sabe amar com os olhos.

Para que no fim da tarde, Senhor,
Possam teus meninos sequiosos,
No crepúsculo agigantado do Amor,
Encontrar o perdão e a paz do artista.



Escrito por Valente Martins às 13h21
[ envie esta mensagem ]



Do Exercício

De tanto se esconder,
Envergonhar-se no banheiro
De chorar,
Aprendeu a sorrir sempre.

E foi feliz.


Ele, do contrário, estudava ser manhoso.
Ele, que não tinha vontade de nada: fingia desejo e imediata frustração, projetando cuidadosamente um constante ar insatisfeito: ele, que não tinha vontade de nada.
- Evito a fleuma, justificou.
Aprendeu logo a reclamar sem motivo - ele, que não se incomodava com nada. Batia-lhe a falsa irritação, tão pronto expressava uma profunda ruga de desconforto, acompanhada de um gemido falseteado. A birra estilizada sem precedentes.
Na imediata consequência de tornar-se profunda e verdadeiramente descontente não reside novidade. Não ter sido feliz é também de pouca relevância, pouquíssimos o são. Não obstante, vulgarizou-se na irritação, e aí reside todo o perigo de dissimular.



Escrito por Valente Martins às 22h26
[ envie esta mensagem ]



Do Relato Pobre (ensaio arrogante)

Permito-me apenas a prosa do difícil, do inexecutável. Para, portanto, no ensaio de exprimir o simples, reencontrar a falácia da linguagem: o dito inexprimível. (Só pelo complicado se diz a sensação de cor-de-rosa). O não-entendimento cria a ilusão de completude, ainda mais, a impressão do transcendental, da sobre-completude. É ponto pacífico - o significado só é belo quando transborda sobre si mesmo.
Faço, por isso, questão do complicadíssimo. Nem que restrito às entrelinhas: o complicadíssimo é meu e necessário.
* * *
Samira, por exemplo, encontrara no silêncio, coitada, um pequeno tormento cotidiano, irredutível. Dada a clara sensação de que o silêncio permanecia, mesmo que em segundo plano, durante toda a sua fala, ela, pobre, desgarrava-se da obrigação de comunicar-se: Samira perdia o gosto da conversação. Dir-se-ia da vida.
Não era a sazão da palavra, concluíra. Não obstante, ela nunca repudiara a possibilidade de uma existência elevada (cogitou o reino puro das idéias mudas). Mas tinha sim, infeliz, na obscuridade de suas frases fracas, empecilho agigantado. Não era a sazão da palavra, lamentara. Descobrisse nessa época a música, Samira primaverava. Não descobriu, reclamou muda, e ninguém ouviu.
Samira, uma personagem simples, alegórica, carismática e melancólica. Quase uma estratégia comercial.


Escrito por Valente Martins às 18h25
[ envie esta mensagem ]



Soneto Equivocado

E como se não fosse tão errado
Todo o teu quarto de doces inundas.
Colhes as flores, as mais vagabundas,
Para entregares ao ócio esperado.

Dedicas-te à saudade, sem que a tenhas.
Lês dos livros, os mais inadequados.
Pois só da saudade, livros, recados
Da fila do descanso ganhas senha.

Mas se o projeto é ser ora assaltado
De tremenda alegria ensandecida,
Encontrarás só um corpo cansado,

E tendo a labuta como esquecida,
Entornarás o leite condensado,
Para fingir que não é doce a vida.

Escrito por Valente Martins às 23h15
[ envie esta mensagem ]



É o fim dos tempos.

Todo o mundo começou a se ligar, e são quilômetros de choro ao telefone. Decretaram fim dos namoros eternos, e agora cabe às moças que chorem. E vão chorar de condoer as entranhas da terra. Os homens vão beber as tristezas todas, vai ser a cachaça que Maria tomou para chorar à cruz. As mães lamentarão pelas desgraças dos filhos, e pelas desgraças dos pais, e as mães lamentarão eternamente a casa suja, a roupa muita.
Nas festas, não haverá quem não procure afoito corpo para deitar em cima, gozar uma angústia fustigada, de comover as nuvens!  Vão se entregar a um amor baixo, ciumento, corroído. Dá dó. As moças feias andam até desistindo de se embelezar: os espelhos não gostam. Vão procurar amigas bonitas para invejar - chorar as diferenças. As bonitinhas, ainda empetecadas, são aquelas que romperam, tentarão partir para o mundo imaturas, tristes de saberem dos morros, das pedras, das cercas, e o pior: dos caminhos abertos e sem obstáculos. Ainda andarão tanto caminho!
E quem procurar ajuda, não vai encontrar. Os amigos estarão todos perdidos em suas desgraças próprias, e ninguém conseguirá se ajudar.
As flores, enjoadas, vão murchar os espinhos e serão pura pétala. Os peixes, só esses continuarão nadando indiferentes do mar, desde o sempre comovidos.



Escrito por Valente Martins às 20h09
[ envie esta mensagem ]



Sobre o Infloríl Jardim da Maturidade

(em tempo de Bolero)

Se eu fosse jovem
Quereria enterrar meus sonhos
Num jardim recente.

Poderia então colher
Flores de sofrimento
Que já desconheço.



Escrito por Valente Martins às 02h00
[ envie esta mensagem ]



Carolina e a as Fúrias

Volta à prece:

meio sólido.
meio devaneio.



Escrito por Valente Martins às 21h47
[ envie esta mensagem ]



Do Coito (divagação sobre as coxas abusivamente agitadas: sem paz.)

A escada acabou.
Eu, que subi tanto. Comecei pulando de dois em dois degraus. Quando as pernas pesaram, esforcei-me contente do esforço: fortaleciam-me as coxas. Eu estaria eternamente preparado para o novo degrau, ainda que me doessem os dedos do pé, e depois os dedos da mão, porque tudo já me doía. Então subi a escada de quatro, apoiando por todos os lados: envergonhei-me da baixeza. Descansei, não descansei, continuei subindo, no meu passo dolorido, afoito da subida, embriagado da sensação de escada.
Era tão curta a escada! Cheguei ao topo sem qualquer hematoma: só o Nada me latejava.

* * *

Agora, desencorajado, enfrento diante de mim a sensação de retidão, perversa. Lembro o tempo da escada atrás de mim, escada que por demasiada facilidade ao descer, faz-me cansaço. A subida é que me parecera pornográfica, violenta. A subida é que valia minha alma. Valia, valeria - não o foi. Foi subida reles, adversidade pouca. Diante da simplicidade estética de um corredor reto, um corredor sem portas, envergonho-me de tão empolgada escalada. Eu afetei o íngrime. Desafeto o caminhar plano.
Sou apenas desgosto. Vergonha.
Tenho, de mim, apenas o corpo triste.



Escrito por Valente Martins às 11h46
[ envie esta mensagem ]



Diagrama do Observador

De certo
Há um charme discreto, contido,
Na sem-graceza
Dos meus olhos furta-cor.

Porque quando te olho
Sou imenso
Para caber em ti.

Tenho olhos de pontas dedos
(e vou tatear tua garganta
teu estômago
e o sexo.)

Tenho olhos de pontas de pênis
Para beliscar a tua moral.



Escrito por Valente Martins às 20h17
[ envie esta mensagem ]



Minha alma está com as unhas encravadas
Mau-hálito e dor de dente.
Minha alma está cheia de probleminhas chatos.

Feito um fardo,
obesa pesa-me,
Dá-me dor nas costas.



Escrito por Valente Martins às 18h49
[ envie esta mensagem ]



Periga chegar o tempo
de eu escrever um novo
Poema Pornô,
idêntico ao primeiro,
inexpressivo,
e Incapacitado.



Escrito por Valente Martins às 20h38
[ envie esta mensagem ]



De quando nossos meses envelhecem.

Toda mesquinhez do homem seja salva.
Senão, rapaz, minha amizade com você
não valeu nada.



Escrito por Valente Martins às 04h29
[ envie esta mensagem ]



Des-Homem

Quero um corpo dodecafônico.

... e Seus Desejos Menores

Quero pisar no amor enchuvarado com meus sapatos
limpos: até encaracolar a alma, asseada.

Quero o sono abusivo dos amantes.
E a paz de uma alma arrítmica.



Escrito por Valente Martins às 00h57
[ envie esta mensagem ]



Banquete

Desbramar no calor-arroto da festa

O inho-pouco vinho quente

Que aos corações abraça.

— E fingir a vida.



Escrito por Valente Martins às 21h27
[ envie esta mensagem ]



Revólver, Martelo e Tiroteio

Pra ser mais que poesia.

Escrito por Josef K. às 00h40
[ envie esta mensagem ]



O Um

E me aflora o nada à alma
D'universo de letras perdidas (idas e desistidas), assisto ao vasto negro repetir-se das horas ensaiadas. Sento-me nessa cadeira sobre o breu, desse universo marrom tão escuro e preto, e daqui releio, repito, reparto, envio - todas as cartas que um dia foram escritas e não enviadas. Tal como um guardião das desistências, alimento-me e enfarto-me dessas covardias, enfado-me.

E me aflora o nada à alma
Ontem eu pensei em ti. Pensei em ti o dia inteiro. Desde ante-ontem, quando pela primeira vez te vi a ti, e viste-me a mim, e nos olhamos por entre as pessoas que passavam, e continuamos nos olhando inteiros, completos, com medo, completos. Desviamos os olhares, com medo, incertos. E não tornamos a nos olhar. Fiquei perdido. Indeciso, recortado, travei um dia de sorrisos e sem-gracesas, de amigos ignóbeis e sentimentos desajeitados, e vinha a revelia, e vinha o tédio, e logo estava eu, a olhar-te novamente, já não te vendo, já perdida a nossa oportunidade, a nossa vez de sermos felizes num mundo cinza. E tenho a impressão triste que tu me perdeste menos que eu perdi a ti. E então não te era mais o meu pensamento: reconstrui-te, num salpicar de nuvens rosas e roseiras secas, de livros, de céus, estrelas repetidas, repartidas e desenhandas num ventre nosso constelado. Uma gravidez de felicidade que não nos aconteceu - a alegria não se nos pariu. Agora penso a ti novamente, como foi ontem e ante-ontem, e como foi desde sempre o sempre: já apagado, já desistido, masturbado e embaçado de mim.



Escrito por Josef K. às 01h52
[ ] [ envie esta mensagem ]



Veneno Rosa

Porque meninos bonitos
morrem.



Escrito por Josef K. às 00h52
[ envie esta mensagem ]



Diagrama do Observador

Tenho olhos de pontas de dedos.
(E vou tatear sua garganta
seu estômago
e o sexo)



Escrito por Josef K. às 16h48
[ envie esta mensagem ]



Joana no meu corpo

Pra poder morrer em paz
Pra poder morrer de rir

Escrito por Josef K. às 15h31
[ envie esta mensagem ]



Refrão Insone

Sua mãe sofre mais do que você
E você não dorme.



Escrito por Josef K. às 05h39
[ envie esta mensagem ]



Ensaio Moral

Pensava em pegar o disk-man do colega. Porque ele o usava o tempo todo (a si e ao disk-man). E esquecera o colega a mochila aberta, fora ao banheiro, ninguém olhava. Une petite plaisanterie. Maldadezinha à toa. Chacota sem graça: devolveria o disk-man logo em seguida com cara de tacho. Mas, passado o furto, sem sorriso, o colega chegou com a pressa, catou a mochila e saiu apressado sob uma chuva fedida. E o herói dessa história  ficou segurando um disk-man que, para evitar constrangimentos, jogou no rio enquanto voltava pra casa sob a mesma chuvinha inexpressiva.

Escrito por Josef K. às 22h42
[ envie esta mensagem ]



Dia feliz

Ela só precisou passar a mão no fundo dos cabelos,
num gesto de carinho consigo mesma,
pra perceber que estava tão triste.

Aí escreveu três ou quatro versos pra artificializar a sensação.



Escrito por Josef K. às 01h51
[ envie esta mensagem ]



Completude e Dissabor

Intimamente, ligo-me frouxo aos meus troféus-humanos, capengas, eu pedante - histérico. Desde quando me tornei essa busca desenfreada por olhos? Se nessa empreitada sou eu mais procura que reconhecimento, sou eu aí menos eu? Anula-me isso? O que perco de mim na boca, no corpo dos outros? Seja então minha vida um elogio à carne, ao fim das perguntas descartáveis (e pelas pessoas descartáveis), seja mais uma vez elogio à antipatia: pela sublimação-endeusamento da alma-objeto. Seja corpo inteiro o meu corpo pequeno, e sê-lo-ei por religião. Sê-lo-ei por obrigação, ciclicamente e promíscuo - completo.

Escrito por Josef K. às 18h45
[ envie esta mensagem ]



Dedicação II

escorrer até que preteje



Escrito por Josef K. às 02h25
[ envie esta mensagem ]



Antes da Virgindade

(nunca encontrei ninguém na escada que desce até lá)

Debaixo dessa escola há uma sauna, um balneário eneblinado, secreto. Lá vão todas as pessoas, em ritmo de sonho. Lá os meninos vão ficar pelados junto das meninas. Vão todos os alunos, pelo menos os bons de corpo, eles vão. Vão professores também. Da primeira vez que desci até lá, vi ao longe minha professora de literatura passar embrulhada numa toalha.
Aqui em cima ninguém fala no subterrâneo paraíso vapóreo. Nunca foi citado por nenhum amigo meu, nem mesmo por mim (por isso ainda não sei como transpor as catracas). Não chega a ser desconfortável esse tabu, pelo contrário. É apenas uma coisa da qual não se fala.
Subindo no último andar da escola, por trás da secretaria, há uma escada infinita que desce até o balneário. Logo ali, virando a parede, dá na escada, sem porta, sem ningúem que desautorize a descida. E descendo-se, chega-se logo no vapor, no branco dos azulejos, os armários onde guardar as roupas, chuveiros, mictórios e as catracas. (Da primeira vez que desci até lá, vi ao longe minha professora de literatura passar embrulhada numa toalha.)
Porque depois das catracas é uma neblina espessa. Não sei ao certo o que há por lá, sei que há excitação, disso sente-se o cheiro. Mas da catraca ainda não passei.  Vejo só as mulheres tirando a roupa como sempre tiraram, os homens mijando de pé, os olhares. Parecem sempre todos seguros, como quem há muito já conhece o gigantesco lugar e não tem medo do corpo e do vapor. Fico observando meus amigos indo e voltando, abraçados com meninas. Fico vendo a minha pequena: indo e vindo, abraçada com qualquer um. Fico vendo.
Não falo com ninguém. E ninguém fala comigo.



Escrito por Josef K. às 13h48
[ envie esta mensagem ]



Superexposição

Pedir
pra não publicar o mundo as flores

Escrito por Josef K. às 02h40
[ envie esta mensagem ]



Antes do Cigarro

- Posso te machucar?
- Pode.



Escrito por Josef K. às 21h12
[ envie esta mensagem ]



O Hermético Pedante

Si vous comprenez ça
Ça sera rien.

(presque rien)



Escrito por Josef K. às 12h22
[ envie esta mensagem ]



Criação

Deixa eu te explicar.
Criar não é coisa que se faça por capricho. Longe disso. Quisera eu poder não criar. Fato é que é uma necessidade imperiosa, terrível, que faz gozar e brochar antes de ter gozado. É um sem-fim de quem consegue observar. Observa-se um pouco e aí vem essa necessidade estúpida.
Eu não escrevo porque decidi escrever.
Faço-o por obrigação.

Escrito por Josef K. às 00h47
[ envie esta mensagem ]



Artificial

Beijar marias-sem-vergonha
Até que meu cabelo encaracole



Escrito por Josef K. às 16h13
[ envie esta mensagem ]



[ ver mensagens anteriores ]