É um mastigar sem fim.
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 Culinária Belga
 breve brevíssimo ou aquele morre-não-morre
 Noise Annoys
 sincopado triste.
 porque tem que sempre estar bem
 Palavras Sobreviventes
 Histérico Histórico
 Caixa de Pandora





Elogio à Antipatia


Ódio



Fui ao Teatro ontem à noite

O menino de cabelos coloridos
Muito bonitos, pintados de vermelho e outras cores
Subiu ao palco orgulhoso de si.
Com o passo seguro, mergulhou todo cênico.
Parou um instante, respiração segura, triunfal!
Porque todos os holofotes eram seus
Todos os olhares e palmas e ovas
Ato único de mérito
Era essa a sua hora e vez
O troféu era seu
Por todo o trabalho e por tudo o mais
Sua chance fora aproveitada por completo
O Seu Palco! O Seu Deus!
Ele (com os belos cabelos coloridos)
Levantou as mãos para o alto e, deixando-se cair
Agradeceu inteiramente
E o público em aplausos foi sincero
Em pé
Assovios irreprimidos de êxtase
Estavam todos satisfeitos e completos
Ainda seguro, orgulhoso, realizado
O garoto deixou o palco
Os aplausos não pararam (eu aplaudia!)
Mas ele deixou o palco
Acreditando...

O garoto colorido
Precisou morrer
Essa não é a questão

***

Ignorei todas as escolhas
E optei por tudo
Tentei elevar-me a mim mesmo
Multiplicar-me pela soma dos meus excessos
E criar um universo interno

Errei em mim
Caminhei para longe
E abracei tudo pelo lado errado

(O garoto colorido
morreu; isso não importa)

Porque agora
Por trás do meu profundo sono
Ela acordou o meu ódio.
Talvez ela saiba disso
Talvez ela conspire ao meu favor
Mentira
Porque agora o meu ódio às coisas se alastra
E reflete em todas as paredes mal-pintadas
E recria-se pelo branco-sujo
De peles

Abondonei-me à Inércia de me ser
Criei um monstro cheio de mágoas e vinganças
Aplaudi em mim a inveja
Assim como aplaudi, da platéia, o belo garoto colorido

Aplaudi em mim o que eu sou
Canonizei os meus ressentimentos
Busquei a fuga e me iludi em verdades

De pé, gritei alegrias ao menino colorido!
Senti quase em mim os seus orgulhos e holofotes
Projetei-me, construi-me
Implosão!

foda-se em si o meu mundinho medíocre

quero mentir...
sorrateiramente mentir...
magoar...
assim como fui mentido...
quero sorrir...
abraçar...
mais que isso

Quero o que quero, isso já é mais do que Tudo
O mundo não é o bastente, quero o menino e mais!
Deus...
Sim, talvez
Porque não?
ambição!

Pobre garoto colorido,
Meus sentimentos se confudem um pouco
Mas que fique claro
na primeira oportunidade eu vou pisar em você



Escrito por Josef K. às 14h44
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Notícias Minhas (carta sem vocativo)

"Alguém certamente havia caluniado Josef K." - começo eu, nas minhas orações diárias - "porque naquela manhã ele foi detido sem ter feito mal algum."
Termina a oração.
Amanhã eu vou embora. Pra Pasárgada talvez. Todos sabem que eu vou embora, mas, graças a Deus, não teve muito estardalhaço na escola. Talvez eu quisesse um pouco de estardalhaço...

Promises of fame... Pormises of fortune...

Mas são só duas semanas. Eu queria pensar que serão longas as duas semanas, mas eu sei que isso é pouco tempo. Perdi a noção da passagem do tempo. Não sei mais o que aconteceu ontem ou anteontem. Torço pra que essas duas semanas sejam marcantes, e quero também esquecer todos dessa minha cidade, todos, os que eu amo, os que odeio, os que eu sou indiferente, todos! Mas são só duas semanas... Se bem que eu fiz grandes amigos em sete dias muito especiais (muitas saudades de todos vocês da EAF), mas agora eu sei que não vai ser assim. Não estou propício a novas amizades. Não estou propício a nada. São só duas semanas, interrompidas por uma Quinta-feira, que me obriga a pegar um ônibus e voltar pra minha cidade, ainda que só vá ficar aqui por umas quatro ou cinco horas. Pasárgada interrompida pelos meus temores. Estou aflito, não sei direito o que vai acontecer nessa Quinta-feira, não sei o que vou encontrar, mas das opções que eu vislumbro todas elas me aterrorizam.
Uma semana na USP- São Carlos
Uma semana em Salvador.
Duas semanas, interrompidas por uma Quinta-feira teatral.
É melhor não ter medo, manter as esperanças, no final das contas esse poderá ser o período mais gostoso da minha vida. Mentira... não consigo acreditar nisso. E também não consigo acreditar mais nas minhas próprias mentiras, e por isso estou tão vazio, tão sincero, tão falso, tão feliz, tão burro... Minhas mentiras não me seduzem mais. Lógico que eu continuo mentindo (mentindo que sou feliz, que sou falso, que sou sincero e vazio).
Eu não quero sentir saudades desse mundinho virtual. Mas vou, porque esse mundinho virtual está cheio de pessoas reais, pessoas que eu já abracei e quero muito rever.

Leva o luto teu, que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu



Estou sozinho, frio, esperançoso. Nunca quis tanto só me vestir de preto, mas eu não tenho tanta roupa preta assim. Comprei camisetas coloridas, mais tarde vou acabar ficando colorido. (estou tão vazio que a minha futilidade se aflora mais). Dramas. Dramas pequenos, como não gostar de como o cabelo ficou, estar triste porque não tenho as roupas que quero, feliz por ter comprado uma mochila preta e amarela que me faz parecer uma abelha (mas lógico, eu teria que estar todo de preto), triste porque eu gosto de combinar tudo, triste por que parei de escrever. Fútil escrever. Todo mundo faz. E muita gente faz bem. Eu parei de criar. Sobrou só um pouco de humor mórbido, e às vezes sórdido, mas tudo vazio, como os últimos textos que tenho postado.
O Confessionário está demasiado longo. Escrevi amiúde (pra usar uma palavra bonita).

Um tanto andejo e melancólico,
Vander Valente Martins


Escrito por Josef K. às 15h18
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