O Delírio da Dorotéia
Ela sonhou com flores, fez uns arranjos, colocou-os num canto da sala e ficou olhando adimirada. Colou lantejoulas pelas cortinas e, com cuidado bonitinho, fez a barra da saia de purpurina. Depois, pensou que podia rodopiar ali naquela casa sua tão bonita, ficou imaginando a si mesma rodopiando, rodopiando... feito um redemunho no tapete da sala, e como receberia visita! Ia colocar uma música de fundo bem bonita, pra girar... girar... Lógico que a Dorotéia não girou, mas pensando nisso ela ficou feliz.
Escrito por Josef K. às 14h44
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Texto Longo e sem revisão.
Se eu, Autor, não consigo me comunicar, que seja, vou assumir-me como Narrador, e só isso. Onisciente ou observador, estou ainda por me decidir; mas quero personagens pra contar. Acho que o nome dele vai ser Alfredo, não gosto muito desse nome, mas é o primeiro que me veio, e assim será. Porque é assim que eu acho que são as obras de Deus. São dadas pela espontaneidade, pela falta de vontade humana, pelo imprescindível natural. Vou tentar traçar a biografia deste meu personagem, mas eu não consigo saber, não consigo ver. Entendo-me, pois, como um Narrador Observador. Entendo-me, vejo. O Alfredo está tentando pegar alguma coisa. Parece qualquer coisa, um objeto que seja e escapa-lhe a mão. Escapa-lhe o corpo todo e o Alfredo começa a dançar, num ritmo lento e dissolvido. Eu vou dissolver o Alfredo. Vou pô-lo no meio da rua e fazer passar um caminhão, pra ele ter uma morte dolorida, vou repartir o seu corpo ao meio... Que depressão é essa do autor que não o deixa escrever? Que não o torna sádico, que não permite que coloque seu personagem na morte? Cadê o protagonista disso tudo? Aonde estão as mentiras e os duplo-sentidos? Tudo bem, tudo bem, ainda que não seja a metafísica do estilo, haverá tudo isso. Escreverei a minha própria teogonia, um dia. Mas agora eu tenho um compromisso absurdo com Alfredo. Tenho que criar o enredo, tenho que matá-lo no fim. Um dia ele resolveu escrever uma carta. Sentou-se na escrivaninha, pegou o lápis e começou. Mas faltaram as idéias, a página ficou pela metade, ele não escreveu nada. Leu o que já tinha escrito e achou bonito. Por isso que o Alfredo rasgou. Picotou o papel, jogou fora tudo aquilo. Porque gostava muito daquela amiga pra quem escrevia. Amava-a. E foi amando que ele rasgou o papel em pequenos pedaços, foi se divertindo com tudo aquilo. Depois amassou numa bola só e jogou no lixo. Ficaram caídos uns papéizinhos no chão que ele, com preguiça, deixou de catar. É esse o meu fim trágico pro meu personagem. O caminhão passou, mas Alfredo não estava na rua. No extato momento ele voltou, pra catar os papéizinhos. Eram esses os objetos que lhe escapavam a mão quando o vi pela primeira vez. Com dificuldade conseguiu jogar a amiga no lixo. Quando voltou pra rua, o caminhão já tinha passado, e o nosso Alfredo entrou em depressão.
Escrito por Josef K. às 14h26
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Telegráfico
Sem tempo, pouquíssimo cansado e se dedicando a uma literatura maior extremamente erotizado hormônios e vestibular
Beijos, Vander
Escrito por Josef K. às 15h26
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