Fantasia
Tudo o que eu queria era escrever a canção mais triste... Que tivesse uma melodia bonita, agradável... E que tivesse como refrão um "Aleluia" singelo Cantado baixinho, com vozes em surdina...
E queria falar de um pônei... (e seria tão triste o menino sobre o pônei!) E então o pequeno menino sairia a cavalgar... Vagaria tristemente por campos ermos, de relva sob o amanhecer
Queria muito mesmo pintar esta canção de azul e cinza As cores da minha melancolia... Que o pônei fosse azul, e o menino fosse cinza E as cores do entardecer, e a grama escura...
Um pouco de nostalgia nisso tudo, o bucolismo... E o menino, em seu pônei, caminharia; A noite vai cair e ele está sozinho E a melodia continua...
Ah, que essa canção tocasse qualquer um Mas que não fosse cantada por ninguém Que ficasse doendo no ventre de quem a ouve Com vontade de repetir junto o "Aleluia", baixinho, baixinho...
E a noite cairia sobre o menino E ele, com medo, desceria do seu pônei Acariciaria, lento, o pêlo azul da crina, daria um beijinho E a pé, seguiria só o seu caminho, cinza e com medo...
Repetindo um refrão inventado Que seria a canção mais triste de todas
Escrito por Josef K. às 22h08
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