Pensamento Noturno Sobre o Infértil
Até que ponto vai a alma? Como é a alma de quem nunca sentiu nojo de si, de quem nunca tocou o espelho e encontrou-o pegajoso, infértil? Pode alguém que nunca se sentiu inteiro ser realmente inteiro, ter uma alma toda sua? É como se o espírito fosse um presente complexo, dado às pessoas capazes de se ver. Como se amar fosse a recompensa de todo esse sofrimento. Pobres dos que têm alma, porque, podendo amar, amam em si a sujidão. E como são amargos, odiáveis, antipáticos aqueles que amam! Por ser, impossiblitam-se de continuar sendo. Desamam. Resta-lhes somente a alma, essa náusea mórbida que lhes basta (e não se conformam).
Escrito por Josef K. às 14h26
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|