Armaram uma campanha pelo ódio no portão da escola.
As crianças que passavam, umas passavam despercebidas, outras olhavam o os estandes e não se interessavam. Pegaram os folders e fizeram aviãozinho de papel. Os poucos pais, estranhados, procuraram tirar alguma satisfação com eles próprios, repetindo entre si frases indignadas, as mães exagerando a boca pra reclamar da pouca vergonha. O fato é que ninguém entendeu direito que estava escrito naqueles papéis que moças de boné iam distribuindo. Pasmavam quando liam Campanha Pelo Ódio nas camisetas, mas assim que liam o conteúdo dos panfletos, ficavam confusos. Estão lutando contra a violência - concluíram. Dez minutos depois ninguém mais comentava a tal campanha. Resignavam-se a pegar os folhetos, lerem duas ou três frases, e depois jogar na rua, ou na lata de lixo, ou guardar na bolsa pra jogar no lixo em casa. Eram folhetos ilustrados com ilustrações confusas, frases longas demais, cheias de palavras rebuscadas e hipérbatos. Um menino muito virtuoso correu até uma das moças, apanhou um panfleto e pediu pra que ela ensinasse a fazer aviõezinhos de papel, ao que ela atendeu com um sorriso bastante sincero.
Quando a aula começou, jovens rapazes dobraram a esquina e, seguidos por uma caminhão, levaram consigo os estandes e pacotes e moças e tudo o mais. Ficaram os aviõezinhos caídos pela calçada e pelo pátio. Não muitos. A faxineira nem reclamou, e a diretoria de nada ficou sabendo.
Escrito por Josef K. às 15h18
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