Eduardo, você tem toda a razão. Estão todos querendo pôr a mão em você! Se deixar, vão engolir-lhe a carne e chupar os ossos, vão arrancar cada dedo, sempre com uma cara de pau que só os outros são capazes de ter. Pedem um beijo, uma carona, uma massagem — pedem de tudo. Querem secar a sua beleza, rapaz. Não deixe, não. Seja educado e polido e peça que tirem a mão de você, que tirem esse olho gordo dos seus olhos azuis. Porque se sentir querido assim o tempo todo, de fato, é um porre. Ah, rapaz, você tem toda razão em odiar ser tão bonito: dá muito trabalho. Tem sempre alguém se apaixonando por você aqui, ou ali. E não é culpa sua. Aí vem a obrigação chata de dizer “Não, muito obrigado, eu não preciso disso tudo que você tem pra me oferecer”, e ter que ver os olhinhos cheios de lágrimas, parte-lhe o coração, mas o que pode você fazer? Não há nada. O que eu digo é que tenha calma, porque você ainda vai longe, rapaz. Ainda vou vê-lo a dar autógrafos. Ser querido por desconhecidos dá-lhe um certo gostinho, não dá? A mim dá-me muito. Mas isso fica cá entre nós, não fica bonito confessar esses gostinhos mínimos, nem há motivo, carisma e carinho nunca lhe faltaram. E você não precisa disso: está saturado. É por isso que ninguém mais o toca, que você anda sentindo falta de contato humano. Sente falta de contato porque não o quer. Não de ninguém que haja nesse mundo. Você tem medo, rapaz. Tem medo do que acontece toda vez. Deixa que o toquem e então já querem tudo, querem cravar-lhe as unhas, abraçá-lo por dentro, e você nunca terá paz. É isso, homem, você nunca terá paz.
Escrito por Josef K. às 13h21
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