Elogio Ferrenho ao Pequeno-Burguês
Há de ter muita dor na hora da morte quem não levou uma vidinha como a de Marina. Das fases da mulher, qual dessas é a que interessa para a literatura? (a literatura a que me proponho é dessas que devem fazer um personagem de qualquer pessoa, sem discriminação - sem discernimento). É Marina menina, sonhando; é Marina adolescente, a adolescer o ócio da vida; quiçá Marina moça formada, mandando currículo pobre pra ser aceita numa loja de roupa? Mas a Marina mais bonita de todas é a velha no leito de morte. Não que haja beleza na morbidez. Marina no leito de morte não é a mais bonita pela decrepitude, nem pela doença. É bonita porque é a soma de todas as fases bonitas de sua curta existência. É aqui que ela revê quão corajosa ela foi. É nesse momento que ela recupera sua auto-estima. Aos poucos vai menosprezar o menino que, na sétima série, não lhe deu bola, vai amar melhor o marido, sentir-se-à boa mãe de sua pequena, e boa avó de sua netinha rebelde. Se não experimentou o Amor outrora, experimenta-o enfim. Porque nesse momento ela é imensa, flutuante, maravilhosa. Nesses momentos finais, ninguém (não há escritor ácido o bastante) que lhe tire o lirismo.
Escrito por Josef K. às 23h42
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O Desmotivo da Reaproximação
Por todo o dano que me causou, Todo o dano que me causou (todo o dano que me causou)
O meu casulo lamenta.
Escrito por Josef K. às 23h39
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