Vender o Corpo
A pequena (mesquinha, vermelha) promessa de diversão me compra.
Vender a Alma
Ter na língua a ponta da opinião. E parti-la (reparti-la), enfiar a cabeça no que é novo, no que é de outrem. E deixar de ser-se. Juro convicto: isso é pecado. (ter na ponta da língua a bifurcação que as cobras têm). A novidade é réptil, rasteja o homem e no homem, entra sub-cutânea. E desaflora a boca, bota preço no que era gratuito. - A alma, anaeróbica, se condena quando toca o ar.
Escrito por Josef K. às 16h38
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Jovem Virgem Sendo Sodomisada por sua Própria Castidade (salvador dali)

Escrito por Josef K. às 16h37
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Acontece que ele se apaixonou por uma foto (hã, ele tem nome sim... deixa ver, deixa ver...- Ricardo). Ele se apaixonou por uma foto. E depois escreveu uma carta de amor.
Garota da Foto,
Entre nós, você plana, desejável, eu todo tridimensional, com projeções e reentrâncias, o que há entre nós é o que mais pode haver de puro e absurdo. A pureza do perverso. Porque você, em ser imagem de mulher, e ser foto simultaneamente, é o meu modelo perfeito de ser humano: perverso, reificado, gostoso de ver, inatingível. Seja eu um cavaleiro coitado nesse mundo sofrido, você será minha suserana altiva, ampliável. Amplificável. Chego ao desgosto imenso de ter a vida inteira pra olhar essa foto. O desgosto infindo de saber que sim, minha vida pode se resumir a olhar essa foto, e eu sou capaz disso. Pergunto-me até que ponto me subjugo à vontade minha-própria de exercer o sacerdócio - o sacerdócio da perversão, do culto ao objeto e do quasi-humano. Encontro, porfim, na idéia fixa parada dessa imagem, o ululante estoicismo, marrom, lindo que vem me dominar e impedir meus movimentos todos. Ah, garota da foto. Queria você parada nessa pose, e vamos então discutir Santo Agostinho. Rolar a imensidão do tempo, e, fotogênicos, praticar o roubo do busto de Voltaire. Com Amor,
Ricardo
Escrito por Josef K. às 23h29
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