Madalena
Quero a beleza esquisita da mulher abandonada, c'a maquiagem borrada, coitada, e aqueles brincos feito bambolê que pesam tanto. O mundo é deveras revoltante pra uma mulher assim: apaixonada. De volta à volta, a beleza ínfima da unha mordida, do esmalte esfregado na pia e remendado pra noite, do coração escarafunchado, recosturado. E essa vida de cão que não lhe sai das costas. Saia, sapato, samba e tango. Fritura, peixe, óleo, frigideira. O peito peludo do homem que a alivia. E a vida noturna de gata infinita, de dentes tortos e sorriso bonito, mulher de nudez, depilação à cêra quente, maquilada, vestida e perfumada. A vida é asfalto e carona. Mundo cadela. E depois dos copos de cerveja repartidos, esmigalhados no chão, vai gritar em alto e estrebuchado (inaudível) som que os homens, ah, Os homens não prestam! - Nem hão-de-o.
Escrito por Josef K. às 01h25
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