Soneto Equivocado
E como se não fosse tão errado Todo o teu quarto de doces inundas. Colhes as flores, as mais vagabundas, Para entregares ao ócio esperado.
Dedicas-te à saudade, sem que a tenhas. Lês dos livros, os mais inadequados. Pois só da saudade, livros, recados Da fila do descanso ganhas senha.
Mas se o projeto é ser ora assaltado De tremenda alegria ensandecida, Encontrarás só um corpo cansado,
E tendo a labuta como esquecida, Entornarás o leite condensado, Para fingir que não é doce a vida.
Escrito por Valente Martins às 23h15
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