Do Exercício
De tanto se esconder, Envergonhar-se no banheiro De chorar, Aprendeu a sorrir sempre.
E foi feliz.
Ele, do contrário, estudava ser manhoso. Ele, que não tinha vontade de nada: fingia desejo e imediata frustração, projetando cuidadosamente um constante ar insatisfeito: ele, que não tinha vontade de nada. - Evito a fleuma, justificou. Aprendeu logo a reclamar sem motivo - ele, que não se incomodava com nada. Batia-lhe a falsa irritação, tão pronto expressava uma profunda ruga de desconforto, acompanhada de um gemido falseteado. A birra estilizada sem precedentes. Na imediata consequência de tornar-se profunda e verdadeiramente descontente não reside novidade. Não ter sido feliz é também de pouca relevância, pouquíssimos o são. Não obstante, vulgarizou-se na irritação, e aí reside todo o perigo de dissimular.
Escrito por Valente Martins às 22h26
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